Jornalismo local e analítico

Opinião
| 7 dez de 2018

Que inveja causa o guarapuavano

199 anos

É velha nossa Guarapuava. Erguida sobre o verde dos campos gerais que virou o cinza da cidade, sobre lombo dos cavalos dos tropeiros e sobre o altar de Nossa Senhora de Belém.

Aqui a gente se acostumou com o chimarrão, não de gaúcho, mas de índio. Índios que, de outrora, donos desse chão, pelos anos e por nós, foram transformados em pedinchas – a tristeza branca da colonização sem humanização.

Aqui a gente se acostumou com o vento e com o frio. Ruim? Não, “loco de bão”! Há quem diga que por aqui só existem duas estações e que são elas muito bem definidas: o inverno e a da Fonte.

Desse lado de cá da Serra da Esperança, onde Guarapuava é a cidade mais linda do mundo, a gente vai vivendinho, andandinho, trabalhandinho e olhandinho os anos passar.

Aqui a gente nasce, cresce, amadurece ou não! Pode só chegar, não importa. A cidade te abraça, te aperta e acolhe sem importar muito “dos qualé que você é”.

Aqui é de português, de italiano, de polaco e ucraniano. De japonês e de coreano. Aqui é de índio, ah se é, mas é também de árabe, de africano, de alemão ou de suábio. Sim, terra de povo trabalhador e sábio!

Disse e disse muito bem um poeta que “há o sangue de muitos lutadores misturados a estes campos. Há trabalho, há vida. O pôr do sol aqui é perfeito [Ah, esse pôr do sol guarapuavano! Não há no mundo nada igual!] e oferece o espaço e todas as condições para os sonhos. As manhãs, principalmente as geladas, instigam à garra” (Jossan Karsten).

Quem olha para campos em volta da cidade, sem demora, percebe a própria pequeneza diante enormidade de chão que a rodeia. E mesmo com essa imensidão de terra, ninguém se sente sozinho! Porque daí vem alguém e te aperta a mão, daí te dá bom dia, daí você descobre que conhece outro alguém que esse alguém também conhece, daí te já marcam um churrasco e quando veem, daí já são amigos!

Que inveja causa o guarapuavano, o que é e o que se torna, porque, acredite, Guarapuava tem muita coisa ruim, mas está tão cheia de coisas boas que nem sobra tempo de olhar para aquelas.

“Co ivi oguereco yara!” Esta terra tem dono! E por aqui todo mundo é mesmo um pouco dono, um pouco pai, um pouco irmão e, de todo coração, filho dessa cidade – e o que faz um bom bacuri? Ama sua mãe, cuida, atende, protege, festeja! Pra você, nós dizemos: parabéns! Ôh velhinha, Guarapuava, parabéns!

#AmeGuarapuava

As tradicionais cerejeiras, no Parque do Lago, encantam moradores e visitantes em Guarapuava (Foto: André Ulysses De Salis)

 

João Nieckars

Sobre o Autor

João Nieckars

Advogado, economista e professor de direito empresarial