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Opinião
| 17 jun de 2019

Parte II: saúde pública em Guarapuava, como melhorar?

Obras do Hospital Regional do Centro-Oeste, em Guarapuava (Foto: Jorge Wool/DER)

A saúde pública de Guarapuava e região já teve dias muito melhores. Chegamos a contar com seis hospitais na cidade. Lembram?

O Hospital Nossa Senhora do Belém fechou, o São Judas fechou também, o São Marcos fechou e o Pronto Socorro da Lagoa das Lágrimas, onde hoje é a Policia Federal, foi o primeiro a cerrar as portas.

Hoje temos dois, o São Vicente de Paulo e o sofrido Santa Tereza. Doutro lado, o Hospital Regional e o Centro de Especialidades não saíram do papel até agora – fechados!

A situação está feia. Mas, o que fazer?

Recebi essa pergunta de muita gente nos últimos dias e fiquei pensativo. Resolvi me reunir com amigos, médicos e gestores, para encontrar respostas e chegamos a três medidas que melhorariam, e muito, a saúde pública da nossa cidade.

Número 1 – habilitar Guarapuava na Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde. A cidade passaria a receber diretamente do Governo Federal os recursos do Fundo Nacional de Saúde e teria autonomia para investir esses valores.

Atualmente, como não temos Gestão Plena, quem administra a maior parte dos recursos é o Estado do Paraná. Acontece que o Governador não está aqui e não sabe, tão bem quanto o Prefeito deveria saber, onde os recursos são mais necessários.

Mais que isso, o Estado aplica os recursos onde quer e, claro, Guarapuava com sua baixa representatividade vem sendo deixada de lado. Por isso que semana passada o Hospital Regional de Foz do Iguaçu conseguiu mais 1,7 milhão por mês, enquanto Guarapuava não recebe nem os 750 mil por mês para o Centro de Especialidades.

Ainda mais importante, com a Gestão Plena o município passa a determinar quanto será pago por cada serviço e a fazer os repasses aos hospitais. Veja, atualmente o Estado está demorando até seis meses para realizar os repasses, além de que se nega repor a inflação – descobriu porque os hospitais quebram?  O Estado paga mal e ainda dá calote!

A Gestão Plena resolveria esses problemas. A intenção é justamente essa: descentralizar e desburocratizar a administração da saúde pública! Pato Branco se consagrou como a 11ª melhor saúde do Brasil graças a esta forma local de gestão e precisamos que Guarapuava siga o mesmo caminho.

Número 2 – salvar o Hospital Santa Tereza. Veja, se o hospital contrata e paga os médicos e demais funcionários, os medicamentos, luz e água, etc, para atender os pacientes pelo SUS e o Estado, além de não repor a inflação há anos, demora até seis meses para reembolsar o hospital, me diga, quem é o real culpado pela quebradeira? Sem dúvida que é o Estado!

Não é novidade pra Deputado algum que o Paraná todo o santo mês atrasa o repasse aos hospitais. A questão é: por que nenhum deles fez algo pra resolver isso definitivamente? Porque não tem interesse algum de resolver! É melhor transformar a necessidade de saúde em dependência, assim os votos seguem de cabresto!

Uma ação politica séria dos nossos deputados e prefeito resolveria definitivamente esse problema, através, primeiro, da Gestão Plena, e, segundo, de lobby para que as dívidas fiscais do Santa Tereza fossem renegociadas a longuíssimo prazo – dando fôlego financeiro a instituição. Assim tiraríamos o HST da crise, rapidamente!

Número 3 – pôr para funcionar o Hospital Regional e o Centro de Especialidades. É inadmissível que uma região tão carente como a nossa permaneça com esses dois elefantes brancos aí, fechados, que juntos custaram a incrível soma de 50 milhões.

Temos três deputados locais que precisam se mexer para resolvermos o problema da saúde na nossa cidade e um grande passo seria se todos eles, junto com nosso Prefeito, exigissem do Governo do Estado a finalização das obras do Hospital Regional e o prometido custeio parcial do Centro de Especialidades, hoje abandonado!

Se não é possível o funcionamento integral de ambas instalações, que se iniciei com um funcionamento parcial, não importa. O que não podemos aceitar é que tantos milhões sejam desperdiçados com obras abandonadas e a população padeça pela falta de atendimento médico.

Com essas três medidas a prestação do serviço de saúde pública em Guarapuava e toda região, sem dúvida, seria muito melhor. É gestão e boa vontade política que falta por aqui – lembre disso na próxima eleição, porque você já viu que os espertões da política local já estão se preparando para dar mais um golpe. Vai cair?

 

 

João Nieckars

Sobre o Autor

João Nieckars

Advogado, economista e professor de direito empresarial