Jornalismo local e analítico

Opinião
| 31 maio de 2019

O que Guarapuava precisa?

Imagem: IBC

Algum tempo atrás eu fiz uma pesquisa informal querendo saber “o que Guarapuava precisa?” A participação foi bem significativa. Li muita coisa, mas quero compartilhar o que o penso sobre o item mais recorrente nas respostas: emprego e renda.

Um número bem grande dos participantes, quase 65% deles, disseram que faltam melhores empregos em nossa cidade. A carência de postos de trabalho bem pagos, que gerem boa renda, são, segunda a opinião da nossa gente, o maior problema de Guarapuava.

Como resolver isso?

Como economista que também sou, gosto de analisar dados, porque eles asseguram respostas fundamentadas as nossas dúvidas. Vejam só…

Guarapuava é a nona cidade mais populosa do Paraná, hoje tem perto de 180 mil habitantes, ficando atrás de Curitiba (2 milhões), Londrina, (560 mil), Maringá (417 mil), Ponta Grossa (348 mil), Cascavel (324 mil), São José dos Pinhais (317 mil), Foz do Iguaçu e (258 mil) Colombo (240 mil). Grandes nós somos, mas a renda por aqui não é muito boa.

Se, de um lado, temos a nona maior população do Paraná, do outro, temos a 32ª maior renda per capita do estado e só aparecemos na 137º posição em relação ao PIB per capita.

A baixa produção e renda local não é algo novo, mas histórico. Em nossa cidade, segundo dados do IBGE, o PIB por habitante passou de R$ 7 mil reais em 2000 para R$ 29 mil reais hoje em dia.

Nas outras grandes cidades do interior do Estado, que há 20 anos apresentavam números muito parecidos com os de Guarapuava, hoje a situação é, via de regra, bem melhor. Londrina aumentou seu PIB per capital de R$ 7 mil em 2000 para R$ 35 mil; Maringá foi de R$ 9 mil para R$ 40 mil; Ponta Grossa de R$ 7 mil para R$ 40 mil. O município de Cascavel de um PIB por habitante de R$ 6 mil no ano de 2000 passou para R$ 35 mil em 2018; São José dos Pinhais deu um salto de R$ 7 mil para inacreditáveis R$ 66 mil e Foz do Iguaçu foi de R$ 8 mil para R$ 58 mil.

Das grandes cidades do Paraná, as que estão na lanterna no crescimento do PIB per capita são Colombo, que foi de R$ 6 mil em 2000 para R$ 20 mil em 2018, e Guarapuava, que, nos vinte anos, subiu de R$ 7 mil para R$ 29 mil.

Tamanho não é documento e algumas cidades menores mostraram isso. Pato Branco, nesses 20 anos, elevou o PIB per capita de R$ 6 mil para R$ 42 mil (e tem só 82 mil habitantes). Toledo foi de R$ 6 mil para R$ 41 mil (isso com apenas 139 mil habitantes) e Francisco Beltrão saiu de meros R$ 6 mil e agora está com R$ 34 mil (90 mil habitantes).

Agora a pergunta que vale ouro: por quê?

O que deu certo na economia daquelas cidades que apresentaram um incremento substancial? O que eles fazem por lá? Podemos fazer igual? Bem, os fatores motivacionais que eu analisei foram variados, mas um deles me prendeu a atenção e talvez você concorde comigo.

Me surpreendi quando busquei a “contribuição por setor de produção na formação da renda” (Ipardes), um índice que mede a participação de cada um dos setores da economia (agropecuária, serviços, indústria e administração pública) na formação da renda dentro do município.

Em todas aquelas cidades onde o crescimento do PIB e a renda são maiores, a indústria contribui com a formação em percentuais que vão de 24% a 35%. Nas cidades onde o crescimento foi menor e a renda é mais baixa, no caso, Guarapuava e Colombo, a participação industrial cai para 17% e 18%.

Esses dados provam que a baixa industrialização é, também, fator extremamente prejudicial ao crescimento econômico de Guarapuava e que mantém a renda local em níveis precários.

Todos os setores da economia devem ser cuidados e estimulados, claro, mas é inegável que os processos industriais mobilizam a mão-de-obra, incentivam a tecnologia, demandam serviços melhores e geram mais riqueza ao agregar valor – aí está uma resposta a nossa pergunta inicial: industrialização.

É urgente que em Guarapuava estabeleçamos conexões entre a política microeconômica (poder público) e os agentes que dinamizam expansão da economia (empresariado e trabalhadores). Essa conexão, se bem estabelecida, gera qualidade no mercado de consumo, aumento do emprego e melhora nos salários e, por consequência, o desenvolvimento.

João Nieckars

Sobre o Autor

João Nieckars

Advogado, economista e professor de direito empresarial