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Opinião
| 31 out de 2018

O envelhecimento e a terceira idade no Brasil

O envelhecimento e a terceira idade no Brasil, caracterizada na faixa etária acima de 60 anos, contrastando com quase todos os outros países que caracterizam como acima de 65 anos, possui muitas especificações e conotações em saúde, prevenção e cura de doenças. Os brasileiros ampliaram sua expectativa de vida, nos anos 80 as estatísticas mostravam uma longevidade beirando os 62,5 anos, atualmente já atinge 76,1 anos em uma média nacional e socioeconômica. As classes sociais mais abastadas e os moradores de centros com melhor assistência médica apresentam maior longevidade.

Os dados estatísticos mostram um grande crescimento do número de idosos no Brasil entre 2012 e 2017; a população idosa saltou de 19,5%, em números absolutos de 25,4 milhões para 30,2 milhões de indivíduos. As projeções para 2025 mostram que o número de indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos será superior a 32 milhões. Ao adentrar no universo dos idosos, constatamos que ele possui uma relação direta com a transição epidemiológica, que se caracteriza por mudanças que ocorrem ao longo do tempo nos padrões de morte, morbidade e invalidez de uma população ou grupo sócio cultural. Nesse contexto, a transição nutricional, com o aumento do consumo calórico, da ingestão de sal, açúcar e gordura possui impacto relevante, pois está relacionada a obesidade e doenças crônicas degenerativas como diabetes, doença cardiovascular e osteoarticular.

A sarcopenia (perda de massa magra associada à redução da densidade óssea, disfuncionalidade articular e rebaixamento cognitivo) deve ser considerada como conseqüência natural de todo o processo de envelhecimento. Para melhorar as condições de vida no envelhecimento a nutrição possui um impacto muito grande. Especial atenção deve ser dada na redução do consumo de sal, açúcar e gordura saturada. Isso ajudará a evitar a obesidade reduzindo inúmeros fatores de risco para as principais doenças nessa faixa etária. Aliás, alguns autores indicam que na alimentação da criança está a chave para o sucesso do envelhecer saudável.

O consumo de vitaminas e minerais, pode ser uma boa opção de prevenção das doenças, no entanto, essa terapia deve ser conduzida sob supervisão médica de dose e efetividade. Os suplementos vitamínicos e minerais comerciais, mostrados diariamente através das mais variadas mídias, devem fornecer a quantidades relacionadas à eficácia clínica e às necessidades diárias. O uso simples de produtos comerciais com quantidades padronizadas de vitaminas e minerais, não reflete os resultados das pesquisas científicas, pois possuem doses baixas. O fato de estarem dentro das tabelas autorizadas para a comercialização como suplementos, na grande maioria dos casos, é insuficiente para a prevenção e cura de doenças.

No planejamento de uma vida saudável e ativa após os 60 anos, a atividade física deve ser estimulada e planejada. O simples exercício como a corrida ou caminhada, deve ser modificado para exercícios aeróbicos mesclados a anaeróbicos, fortalecendo a massa muscular, melhorando a postura e evitando quedas, além de ampliar e melhorar as funções cardio respiratórias. Não podemos nos esquecer que os idosos necessitam de estímulos relacionados ao contato com familiares e amigos.

 

 

 

 

Lourdes de Figueiredo Leal

Sobre o Autor

Lourdes de Figueiredo Leal

Farmacêutica Bioquímica
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