Jornalismo local e analítico

Opinião
| 7 dez de 2018

Gaúchos de Guarapuava

Algum tempo atrás perguntei-me sobre a causa do guarapuavano ter hábitos tão gauchescos. Eles estão presentes no dia-a-dia da grande maioria dos moradores da cidade. Quanto mais interior, mais perto do Rio Grande do Sul nos sentimos. Exemplos não faltam, o chimarrão, o churrasco, as músicas, as danças, as roupas e, até mesmo, o jeito de falar, tudo tão característico, que chega a parecer que um gene “riograndense” já foi incorporado ao DNA do guarapuavano. Sempre que penso nisso consigo imaginar nossa cidade como cenário da série literária O tempo e o vento, de Érico Veríssimo.

Uma cena típica de ser acompanhada em nossa cidade, de início ou fim do dia, tem suas raízes nos pampas: famílias reunidas em uma boa roda de chimarrão, colocando a “prosa” em dia, e contando causos antigos. Além disso, quem nunca encontrou, em pleno centro da cidade, homens com suas botas, bombachas e lenços no pescoço?  Ou mesmo ligou o rádio pela manhã, ou cair da tarde, e se deparou com uma programação exclusivamente gaúcha? Diante de tantas evidências, não há como negar aquilo que já é verdade incontestável em nosso estado: Somos gaúchos de Guarapuava.

Se olharmos para a história, tentando encontrar o elo que nos liga ao Rio Grande do Sul, veremos que no início do século passado muitas famílias deixaram seu estado de origem e migraram, buscando melhores condições de vida, e, ao longo deste trajeto, foram disseminando sua cultura, que foi absorvida e incorporada pelos moradores de nossa cidade. Desde então, a cultura dos pampas se faz presente em meio a nossa e, apesar de ter adquirido características próprias, mantém- se fiel em vários aspectos.

Seja com características próprias, ou adaptado à nossa realidade, não há como negar que a influência gaúcha teve papel importante na formação da identidade cultural do guarapuavano. Deixou marcas na culinária, nas vestimentas, no jeito de ser e de se manifestar, fez de Guarapuava uma cidade única, mesmo com o jeito tipicamente gaúcho.

Jasmine Horst

Sobre o Autor

Jasmine Horst

Jornalista, Mestre em Letras, pesquisadora de identidades e relações de gênero