Jornalismo local e analítico

Opinião
| 7 mar de 2019

Estamos atrasados

Capa “O Bem Amado” – Editora: Bertrand Brasil (agosto de 2014)

Lembro claramente, quando no auge dos meus 16 anos, li, pela primeira vez “O Bem-Amado”, de Dias Gomes, peça lançada em 1962. Naquele momento, já consegui perceber várias semelhanças com nosso país, mas, após releitura, na faculdade, consegui encontrar alguns detalhes que me fizeram sentir como uma típica moradora da cidade de Sucupira. O livro nada mais é do que uma sátira da política nacional. Assim como Odorico Paraguaçu, que podia fazer qualquer coisa, mas continuava com a simpatia das massas, temos alguns exemplos de dinossauros da velha política, principalmente dentro da nossa Câmara Municipal.

Passados alguns dias da rejeição do PL proposto pelo vereador Aldonei Bonfim, o Dognei, que proibiria o uso de tração animal em Guarapuava, mesmo com os devidos substitutos já previstos no projeto, visando que ninguém saísse prejudicado com a determinação, eis que surge mais uma prova da mente pequena e retrógrada de alguns dos nossos representantes: um Projeto de Lei que tem como objetivo transformar a prova de laço em bem imaterial do nosso município. E sim, estamos falando daquela prova absurda, que muitos ainda teimam em chamar de esporte, que já teve sua realização vetada por tantas vezes pelo Ministério Público por considerar que há, sim, maus tratos aos animais durante a prática. Mas claro, é pedir demais que o fulaninho encare novos horizontes e perceba que não vivemos mais no século passado.

E não é necessário olharmos para longe para percebermos que Guarapuava vive em um bolsão de atraso. Aqui poderíamos considerar “N” quesitos, mas ainda sobre a causa animal, Maringá, Curitiba, são alguns dos municípios que proibiram o uso de tração animal, e são consideradas as melhores cidades para se viver no Paraná, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), ou seja, vão muito bem, obrigada. São municípios que resolveram olhar para o futuro e não ficar batendo na tecla do passado, com o estilo Odorico de fazer política.

Em tempos de Damares e seu pé de goiaba comandando o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em tempos de dificuldade de interpretação de texto e de termos que colocar em letras maiúsculas que o problema NÃO É CANTAR O HINO, e sim todo o resto que estava junto com aquela  palhaçada de determinação, em tempos de termos que conviver com mentes tão atrasadas dos nossos representantes, eu me sinto em plena Sucupira. E pior, não temos só um Odorico Paraguaçu.

Jasmine Horst

Sobre o Autor

Jasmine Horst

Jornalista, Mestre em Letras, pesquisadora de identidades e relações de gênero