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Opinião
| 15 jun de 2019

Educação é gasto ou investimento?

Imagem: Thinkstock

Você já parou para pensar a importância da pesquisa em nosso dia a dia? Muitas vezes não percebemos, mais todos os dias usamos algo que teve muita pesquisa e estudo para que possamos utilizar, são muitos os exemplos que podemos citar, desde o alimento que comemos, o carro que usamos para se locomover, remédios, eletrônicos, roupas e etc. Ou seja, o investimento em pesquisa é de grande importância para o nosso bem-estar. Um estudo realizado pelas Universidades Estaduais do Paraná mostra que cada R$ 1 investido nas instituições de ensino superior, R$ 4 retornam para as economias locais. As compras de materiais, serviços contratados e renda dos servidores impulsionam a produção, a criação de empregos e renda. Outro exemplo de movimentação econômica são os gastos dos estudantes com alugueis de apartamentos, custos com alimentação e outros serviços.

Quanto maior o investimento realizado na pesquisa maior será a especialização de cada setor, como por exemplo setores de grande importância para a sociedade: saúde, agricultura e industria, gerando maior eficiência e capacidade do profissional.  A formação de grupos de pesquisa no país é responsável por solucionar epidemias, aumentar a expectativa de vida da população e desenvolvimento de novas fontes de energia, como é o caso do álcool, por exemplo.

Atualmente, bolsistas de mestrado e doutorado recebem uma bolsa-auxílio que há anos não tem reajustes. Sendo que o pesquisador deve se dedicar totalmente aos seus estudos, e não pode ter qualquer outro tipo de renda, então o valor da bolsa deve não apenas pagar suas despesas pessoais (aluguel, alimentação, luz, água, internet) como também qualquer gasto com equipamentos de pesquisa ou deslocamento. Para piorar, o corte no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a diminuição do repasse ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que vem acontecendo prejudica e desencoraja a formação de pesquisadores que poderiam contribuir para áreas críticas do país, como o desenvolvimento de novos medicamentos e tecnologias de produção de alimentos por exemplo

A estratégia do governo de cortar o orçamento da pesquisa cientifica no Brasil para combater a crise econômica não é a solução e sim mais um problema. Afinal todos queremos conforto e bem-estar no dia a dia, não é mesmo? como alimentos saudáveis, atendimento médico de qualidade, remédios que sejam capazes de combates doenças, eletrônicos cada vez mais rápidos e eficientes, entre outros. Mas será possível ter qualidade no que consumimos no dia a dia sem ter qualidade na Pesquisa?

Ernani Garcia Neto

Sobre o Autor

Ernani Garcia Neto

Engenheiro Agrônomo, Mestrando em Produção Vegetal (UNICENTRO)