Jornalismo local e analítico

Opinião
| 24 jun de 2019

As tais influências

Desde que iniciei minha coluna no Integração Online, em meados do ano passado, venho falando sobre política, sobre os impactos políticos no nosso cotidiano. Hoje, resolvi fazer diferente.  Permitam-me aqui, colocar algumas reflexões sobre o momento atual da nossa sociedade, sobre as crenças coletivas, sobre os preconceitos maquiados como opinião, sobre o crescimento de um pensamento preconceituoso e baseado no egocentrismo.

Como é possível que esse tipo de pensamento esteja tão difundido? Basta abrir os comentários de qualquer tipo de notícia nas redes sociais, é triste e chega a ser doentio em alguns casos. Toda destilação de ódio e preconceito sendo difundida sem o menor pudor, sem o menor medo.

As pessoas estão esquecendo o respeito pelo próximo, entrando em um ciclo de “se fulano falou, eu também posso”, e pior ainda quando esse “fulano” tem alcance e tem voz perante a sociedade, alcance construído em cima de discursos raivosos, mas que parece ter atingido uma boa parcela da população.

Hercule Poirot, o famoso detetive de Agatha Christie, em uma das obras mais conhecidas, Cai o Pano, que traz o desfecho da história do investigador belga, descobre aquele que seria o crime perfeito, o crime sem deixar pistas, sem nem mesmo sujar as mãos. Aviso, neste momento, que deixarei um spoiler. O crime perfeito ocorre através de manipulação mental de um assassino com sede de morte, mas que encontra uma forma de satisfazer sua vontade sem nunca ter que pagar por isso. É a influência dele que mata, que convence os outros a matar. Poirot consegue perceber isso, algo tão difícil na literatura e ainda mais na vida real. Mais uma vez, a arte imita a vida, ou vice-versa.

Jasmine Horst

Sobre o Autor

Jasmine Horst

Jornalista, Mestre em Letras, pesquisadora de identidades e relações de gênero