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Opinião
| 12 maio de 2019

A vida tem solução, o suicídio não

Imagem: picswe

Na literatura espírita encontramos relatos daqueles que partiram deste mundo através da morte natural, acidentes, doenças ou suicídio.  De modo geral os espíritos comunicantes comprovam a imortalidade da alma com revelações e fatos que desconheciam antes da desencarnação/morte. São familiares que tinham apelidos, citam outros que não chegaram a conhecer, transmitem recados para familiares que ainda estão “vivos” fazendo referência a fatos conhecidos só por eles. O mais interessante é quando se referem às atividades que realizam no presente ou aquilo que pensam sobre determinado assunto ou situação não reveladas para ninguém.

Com os suicidas é diferente. Como pode se sentir quem foi contra a sua integridade, fazendo o que há de pior para si mesmo e desobedecendo o mandamento que diz “não matarás”? Jogando fora sua chance de melhorar, de perdoar, de ser feliz, de amar o próximo como a si mesmo, de resgatar erros, de servir de exemplo em algum setor da vida e tantas outras coisas … São verdadeiros horrores que passam aqueles que premeditam a morte, suicidando-se.

O primeiro relato é o resultado de uma pesquisa recente no Japão que buscava causas de suicídios de jovens naquele País. Ruptura das redes sociais que provocam a destruição do “eu atômico e a desconstrução da subjetividade. No artigo passado enfoquei a construção do EU que é individual; mas as redes sociais acabam massificando a subjetividade. A pessoa pensa como o personagem do joguinho, age como ele e se sente perdido (sem identidade) quando a rede apresenta ruptura. A vida perde o sentido como se ele não tivesse papéis sociais para desempenhar…

Os relatos que seguem dão o que pensar:

Gustavo – “Quando me reconheci vivo julguei que estava louco. Inconsolável e desapontado por me sentir vivo, pois não acreditava que existia vida pós-morte.

Me afoguei e vi os peixes comendo o corpo. Não fosse a força de luz das palavras da minha mãe sobre os ensinos de Jesus, eu teria enlouquecido. Foi a vida irregular que me levou ao suicídio. Todo suicida precisa voltar para refazer caminhos e acertar o que errou.”

Outro “Me apaixonei pela minha mãe que tinha fotos minhas nas mãos e chorando perguntava: porquê? Porquê?

Me apaixonei pelo meu irmão que chorava minha ausência.

Na manhã depois que me matei voltei ao necrotério junto daquele corpo frio”.

Luiz Alves – “ Os espíritos me trouxeram aqui para contar que, por me matar, precisei estagiar no túmulo até o dia que era para eu morrer normalmente. Foi horrível acompanhar a decomposição do meu corpo sendo devorado por vermes. Senti as mordidas, senti fome, senti frio, senti sede. Não existe sofrimento maior! Não façam isso ”

Jarbas –“ Cometeu o suicídio pulando de um prédio de 10 andares em São Paulo, capital. Antes de me jogar lembrei de você mãe, mas nem isso adiantou. Achei uma janela aberta e logo em seguida meu corpo arrebentou todo. Corpo não tinha mais. Quanta dor! Quanto arrependimento! Os motivos foram tão fúteis!”

Júlio César Machado –“ Eu sem fé, sem resignação e confiança em Deus… Veio a morte e levou meu filho. Eu acreditava na vida eterna. Fui levado por um turbilhão e outras vezes aos lugares em que vivia. Me debato a gritar. Ficou um vazio na vida e resolvi encontrá-lo.

Se o amor é crime por que Deus coloca amor em nossa vida? Sofro porque não encontro meu filho. Me matei por fraqueza, de não poder viver sem meu filho.

Matei-me por ignorância(…) Quem busca a morte adia o reencontro por muito tempo pois estão em lugares com vibrações diferentes. Não adiantou nada ”.

José  – “Tinha tantas dívidas que mesmo que vendesse a casa e a pequena fábrica não resolveria a situação. Depois de um jantar caprichado com a família fui ao escritório e dei um tiro, na boca, que me matou. Ouvia pessoas dizendo: acho que José tinha tantas dívidas.

Sentia fome, frio, sede, dor alucinante. O desespero foi maior no enterro: além das dores, da fome e do frio ouvia vozes me recriminando.

– José pede perdão! Sentia-me enlouquecer. Depois de muito tempo fui levado ao vale dos suicidas. Muitos anos passaram. Das dores fiquei só com o sofrimento do remorso. Não vale a pena antecipar a volta para o plano espiritual. Aprendi a ser grato.”

Silva –   “Me matei mas não morri. Os ferimentos doíam e sangravam. Será que fiquei doido. Sofria: porque não morri? Quero ajuda … por favor”.

Cris – “Choro, continuo chorando. A depressão me acompanha. Mas eu era vazia. Tinha muitos pesadelos. Me acusavam de fraca, de covarde. Só me acusavam. Minha mãe me chama de filha ingrata e reclama dos remédios caros que comprava para mim. Isto me dói muito pois reconheço que nunca me ajudei.

Só quero dizer que valorizem a encarnação por pior que seja. Suicídio nem pensar … não imaginam como o sofrimento aumenta! Quando não estiverem bem peçam ajuda. Não é humilhação é um recurso para evitar males inimagináveis.

A Vida é o maior bem que Deus nos concede, mas só Ele pode tirá-la. Valorize a vida, valorize o tempo e valorize-se.”

Não esqueça: “a reencarnação é a oportunidade abençoada que os céus concedem para   o refazimento moral, ajuste de contas e pagamento de dívidas. Não te canses de lutar!”  (Joanna de Ângelis,  in Messe de Amor, p.67- psicografado por Divaldo  Pereira Franco).

Quando a vida se tornar difícil a e a oração fortalecem para que você não caia nas próprias tentações.

Deus não desdenha nenhum dos seus filhos! Fé, muita fé!

Luci Zempulski Jörgensen

Sobre o Autor

Luci Zempulski Jörgensen

Membro da ALAC – Titular da Cadeira n°8