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19 nov de 2018

[Crônica Geral] Onde nascem as fake news?

Não é de hoje que boatos são espalhados como verdade, mas a evolução das redes sociais tornou essa prática muito mais frequente. As notícias falsas ficaram conhecidas como fake news, termo popularizado pela imprensa internacional nas eleições dos Estados Unidos, em 2016. Em alguns casos, essas informações inverídicas são criadas com o intuito de atrair acessos e dessa forma obter lucro com publicidade digital. Além disso, um dos principais motivos em publicar mentiras é manipular o pensamento coletivo em prol de um viés ideológico. Existem grupos específicos que executam o “trabalho sujo”, mas é difícil de encontrar os atuantes desse segmento, pois elas operam na chamada deep web, ou seja, uma parte da rede que não é indexada pelos mecanismos principais de buscas, ficando oculta ao grande público.

Certamente você ouve falar, de forma frequente, sobre o que significa e como funcionam as fake news. Mas como identificar uma notícia falsa? A resposta pode ser resumida em um dos princípios básicos do velho e bom jornalismo, o questionamento. O ponto de partida para a desconstruir um rumor midiático é conferir a origem de tal informação recebida, se foi escrita por um profissional de comunicação e publicada em um site de conteúdo jornalístico. Suspeitou de alguma mensagem que recebeu? Clique no link e leia a matéria, não repasse antes de ler e analisar o material completo. O segundo passo é desconfiar de manchetes e chamadas extremistas, como por exemplo “EUA e ONU sugerem intervenção militar no Brasil”.

E o que fazer se, mesmo observando os aspectos já citados, não ter certeza se está diante de uma fake news? Primeiro, busque a existência da mesma notícia em outros portais, principalmente nos veículos tradicionais. Segundo, verifique algumas particularidades das informações recebidas, no jornalismo todas as pessoas entrevistadas devem possuir nome, sobrenome e outras referências (geralmente a profissão).

Outro fator que não deve passar desatento é o que diz respeito as datas das publicações, uma notícia de cinco anos atrás pode ser verdadeira, mas estar sendo repassada como atual. Último ponto a ser destacado é em relação aos recursos de edição, atualmente é simples alterar materiais audiovisuais com o intuito de fraudar situações, as velhas conhecidas montagens estão cada vez mais parecidas com a realidade.

Normalmente, um sistema criado pelos programadores de grupos clandestinos é o responsável por disseminar o link falso nas redes. Quanto mais o assunto é mencionado, mais a programação digital atinge os internautas, ao ponto de disparar coneteúdos em poucos segundos, de forma muito mais rápida do que a capacidade humana.

Com amplo volume de disseminação de fake news, pessoas reais ficam vulneráveis e acabam compartilhando os boatos. Dessa forma, está criada uma rede de mentiras com pessoas reais. A maneira mais efetiva de diminuir os impactos dos conteúdos falsos é cada cidadão fazer sua parte, compartilhando apenas aquilo que tem certeza de que é verdade. No Brasil, existem agências especializadas em checar a veracidade dessas suspeitas, as chamadas fact-checking. Alguns grandes portais de notícias também criaram setores exclusivos para checagem de informações.