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7 dez de 2018

[Crônica Geral] 9 de Dezembro – Aniversário de Guarapuava

Zilma Haick Dalla Vecchia*

A escolha do dia do aniversário da cidade de Guarapuava em 9 de dezembro foi determinada por Antonio Lustosa de Oliveira, a partir de 1936.

Num texto publicado no Jornal Folha d’Oeste em 9 de dezembro de 1973 e nas páginas 107-109 do primeiro volume do livro Do meu canto, Lustosa, usando o seu habitual pseudônimo, João do Planalto, descreve detalhadamente a sua iniciativa para o que chamou de Primeira comemoração.

Baseou-se na Cópia authentica do auto que se formou na fundação da Povoação e freguesia de Nossa Senhora de Belém, nestes Campos de Guarapuava, aos 9 de Dezembro do anno de N.S.J.C. de 1819, escrita em 12 de maio de 1888, por José Joaquim Marçal, escrevente do Tabelionato de Eugênio de Santa Maria. Essa cópia encontra-se sob a guarda do Cartório do 1.º Ofício de Registro Civil e 2.º Ofício de Títulos e Documentos – Cartório “Santos Lima”.

O documento original de 9 de dezembro não foi encontrado, mas em diversos registros do Arquivo do Estado de São Paulo encontram-se referências a esse auto que foi assinado pelo Padre Chagas e por Antônio da Rocha Loures, Comandante Interino da Real Expedição de Conquista e Povoação dos Campos de Guarapuava.

Analisando-se esses registros, pode-se considerar o Auto de 9 de dezembro de 1819 como um extraordinário documento que expressa o primeiro plano diretor da cidade de Guarapuava, mas não como o dia em que a história de Guarapuava teve início.

Os seus autores, quando ao Auto se referem chamam-no de “termo”, “regra de polícia”, que serviria de orientação na administração da Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Guarapuava e que depois de aprovado ”pelo Illmo. e Exm.º Snr.General desta Capitania terão força de estatutos particulares desta Povoação, enquanto nella não houverem outras Authoridades que tenhão a seu cargo regular sua Polícia”. A nossa freguesia ficava distante da Vila de Castro de que depende pela Justiça” e os caminhos eram precários.

A Freguesia de Nossa Senhora de Belém de Guarapuava já havia sido criada pelo Decreto Real, de 19 de agosto de 1818, e pela expedição do Alvará, de 11 de novembro do mesmo ano, quando foi criada a Igreja. Por força do Regime de Padroado, vigente na época, não havia separação entre a estrutura civil e a estrutura eclesiástica.

Para o Padre Chagas era a primeira povoação fundamental nos Campos de Guarapuava porque seria habitada somente pelos expedicionários e suas famílias separados dos índios que continuariam em Atalaia. Somente o Padre Chagas veio para cá em 9 de dezembro de 1819, acompanhado de dois escravos, dez índios e dois soldados. Continuaram em Atalaia, até 1821, as outras pessoas que compunham a povoação, assim como, o Comandante Rocha Loures e sua família.

A historiadora Walderez Pohl da Silva em seu livro “De Lustosa a João do Planalto”, à página 169, afirma “Lustosa fundou a tradição de se comemorar anualmente o aniversário de Guarapuava no dia 09 de dezembro”.

 Manter o 9 de dezembro como dia do aniversário de Guarapuava é manter uma tradição. Mesmo assim, Parabéns Guarapuava pelos seus 208 Anos de História! E pelos seus 199 Anos de História estabelecidos pela tradição!

*Segunda Vice-Presidente do Instituto Histórico de Guarapuava – IHG. Primeira Secretária da Academia de Letras Artes e Ciências de Guarapuava – ALAC. Segunda Secretária da Associação dos Docentes Aposentados da Unicentro – ADAU. Membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Guarapuava.

Parque do Lago, região central da cidade. Foto: André Ulysses De Salis