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Cidade, Segurança | 9 fev de 2017 | por: Alexandre Pessoa

Sinal vermelho para violência contra mulher

A violência contra a mulher não dá trégua, é o que apontam os dados do Fórum de Guarapuava. Números atualizados na sexta-feira (27) indicam que 52 inquéritos enquadrados na Lei Maria da Penha foram abertos somente no mês de janeiro.

Do total, 24 ações penais estão em andamento e devem ser julgadas no próximo mês. Pouco mais de 53% dos inquéritos cumprem medida protetiva, ação em que o agressor fica impedido de se aproximar da vítima e de outros familiares quando necessário.

Se mantida a média, em 2017 a violência contra a mulher poderá registrar mais de 600 ocorrências e até 300 ações penais.

Segundo informações da Secretaria de Políticas para Mulheres de Guarapuava, em 2016 foram registrados 494 ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha. O número é inferior ao de 2015, porém os números altos de janeiro ligam o alerta para as políticas voltadas às mulheres.

Ações e agressões

A violência contra a mulher tem rosto, tem nome e em 97,8% dos casos é conhecido. Esta é a informação obtida em pesquisa realizada pela Secretaria para Mulheres com dados referentes a 2015. Em 64,8% dos casos de violência registrados, o agressor é marido ou ex-marido da vítima.

Das 272 mulheres entrevistadas –todas com ocorrências registradas pela Lei Maria da Penha- 42,6% sofrem violência continuada. Ou seja, possuem histórico frequente em agressões nas seis modalidades previstas. Outras 21,7% afirmam se deparar com violência em momentos circunstanciais; outras 35,7% não informaram a frequência.

Os casos mais recorrentes são de violência física, atingindo mais de 69% das mulheres pesquisadas. São agressões das mais leves aos casos mais graves, incluindo o feminicídio, homicídio com estrita relação de gênero.

A violência psicológica também está entre os índices mais altos, atingindo 54% das entrevistadas. Já a violência sexual atinge 4,8% das mulheres; a moral e patrimonial ambas chegam aos 6,3%.

Violência doméstica

Se para algumas mulheres o lar é um espaço de segurança e afeto, para muitas outras o espaço doméstico é a origem de uma série de violências.

Enquanto 3,3% das entrevistadas afirmaram terem sido vítimas de violência em espaços como a rua e o trabalho, outras 89,3% sofreram violência dentro de casa. Começa-se, então, a traçar um mapa mais específico dos altos índices de ocorrências e de sua natureza.

Outro dado que chama atenção é a violência contra a mulher cujo agressor é o filho, situação relatada por aproximadamente 6% das mulheres. Os números podem indicar que, no âmbito familiar, a violência torna-se herança.

Em se tratando da faixa etária, as ocorrências são amplas. Os números mais se concentram na faixa etária de 19 a 39 anos, atingindo 41,9%. Porém, os índices também abrangem mulheres mais velhas, incluindo as acima dos 60 anos com 4% das ocorrências registradas.

Ilustração: Mariana Almeida



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